Dez Mandamentos do Trânsito

Passaram-se apenas 122 anos desde que o alemão Karl Benz construiu (em 1885) o primeiro automóvel, que se encontra num museu de Munique, Alemanha. Hoje andam pelas estradas do nosso planeta mais de um bilhão (1.000.000) de carros, sem contar os veículos militares. A frota brasileira é de cerca de 24 milhões de automóveis. O Brasil, por sinal, é o 10º produtor mundial, com 56 fábricas, em 34 Municípios de 9 Estados.
À Igreja compete principalmente a questão moral. A Santa Sé (Vaticano) emitiu para a boa convivência nas estradas um conjunto de “Diretrizes para o Cuidado Pastoral na Estrada”. São orientações práticas, que fluem da Sagrada Escritura e da Doutrina Social Cristã. A imprensa logo resumiu o documento como “Os dez mandamentos do trânsito”. São eles:
1. “Não matar”. Como em toda parte, também na estrada somos instados a respeitar e a proteger a vida e a integridade das pessoas.
2. “A estrada deve ser para ti um meio de conexão entre pessoas e não um local com risco de vida”. Todos os esforços técnicos para aperfeiçoar os carros e os tornar acessíveis às pessoas têm como objetivo abreviar distâncias, a fim de facilitar as relações humanas. É também um modo de promover a paz.
3. “Cortesia, sinceridade e prudência te ajudarão a lidar com eventos importantes”. Jesus dizia: “Faze aos outros o que desejas que te façam a ti”. Pode-se ser sincero e leal sem ser grosseiro ou arrogante.
4. “Seja caridoso e ajude o próximo em necessidade, especialmente vítimas de acidentes”. Num programa de televisão, um senhor confessou: “Se uma pessoa morre na estrada, eu deixo morrer”. Um especialista em trânsito disse: “O individualismo é o maior problema da estrada”. Que pena!
5. “Carros não devem ser para ti uma expressão de poder e dominação, e uma ocasião para pecar”. A sede de auto-afirmação e de poder conduz à imprudência, que por sua vez é a maior causa de acidentes. Carro é para desenvolver os valores humanos e cristãos entre pessoas.
6. “Caridosamente convença os jovens e os não tão jovens a não dirigir quando não estiverem em condições de fazê-lo”. Por exemplo: Se beber, não dirija; se diriges, não beba. Isto vale também dos adolescentes; as pessoas de idade avançada não têm reflexos rápidos.
7. “Ajude as famílias de vítimas de acidentes”. As vítimas não são seres isolados. A grandeza de uma pessoa se demonstra pela capacidade de prestar socorro e ajuda também às famílias das vítimas. Sempre podemos orar por elas.
8. “Una motoristas culpados e suas vítimas, no momento oportuno, para que possam passar pela libertadora experiência do perdão”. Quem ama, perdoa. Do perdão brota a paz.
9. “Na estrada, proteger os mais vulneráveis”. Despertando a vigilância, educando para a responsabilidade e cooperando com as autoridades competentes.
10. “Sinta-se responsável pelos outros”. O papa João XXIII dizia: “Amar a disciplina”. Isto pode significar: observar as leis de trânsito. O papa Paulo VI dizia: “Por a mão na consciência”. Isto parece a síntese de tudo. Sem consciência não há solução cabal.
Finalmente, sugiro à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) instituir o dia nacional de oração pelo trânsito. Se Deus está conosco na estrada, não é maravilhoso?
Dom Sinésio Bohn
Bispo de Santa Cruz do Sul
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Mandamentos do trânsito - Dom Genival Saraiva*
*Dom Genival Saraiva é bispo de Palmares - PE

Diariamente, registram-se inúmeros acidentes de trânsito no mundo; no Brasil, o problema é particularmente acentuado nas estradas e cidades, deixando lesões graves ou seqüelas, às vezes, comprometedoras na vida das pessoas e levando milhares a uma morte prematura. Conforme o Aurélio, “acidente”, em nosso vernáculo, significa “Acontecimento casual, fortuito, imprevisto”; em sentido filosófico, é “O que resulta de contingência ou de acaso”. De acordo com o próprio conceito e com nossa experiência, os acidentes não acontecem em razão de um determinismo, nem por força do “destino”; antes, estão na ordem da causalidade; as explicações estão à vista; uns são decorrentes de fenômenos naturais que, todavia, não são, estatisticamente, as principais causas de morte ou invalidez; as ótimas e as precárias condições de nossas estradas têm sua cota na contabilidade dos acidentes; porém, as intervenções humanas, involuntárias ou irresponsáveis, estão na raiz da maioria dos acidentes que, portanto, são evitáveis. “Erro humano, em todo o mundo, é responsável por mais de 90% dos acidentes registrados. Principais imprudências determinantes de acidentes fatais no Brasil: por ordem de incidência: Velocidade excessiva; Dirigir sob efeito de álcool; Distância insuficiente em relação ao veiculo dianteiro; Desrespeito à sinalização; Dirigir sob efeito de drogas.” Muitos fatores, de ordem objetiva e de natureza subjetiva, contribuem para o crescente número de acidentes no Brasil: “Impunidade / legislação deficiente; Fiscalização corrupta e sem caráter educativo; Baixo nível cultural e social; Baixa valorização da vida; Ausência de espírito comunitário e exacerbação do caráter individualista; Uso do veículo como demonstração de poder e virilidade.” Entre nós, as estatísticas anuais são muito elevadas, de modo que os acidentes constituem um problema nacional porque encerram traumas, sofrimentos e apreensões na vida dos acidentados e de seus familiares. Os acidentes se tornam “um problema de saúde pública”, pelo lado dos custos humanos, financeiros e sociais; são cerca de “5 bilhões de dólares por ano”, em razão das “perdas de produção” e gastos da previdência social.
“Atualmente, segundo a OMS, há 1,2 milhão de mortos, e de 20 milhões a 50 milhões de feridos, em acidentes de trânsito, no mundo, anualmente.” “No Brasil mais de 40.000 pessoas perdem a vida anualmente em acidentes de transito”. Diante da gravidade desse problema, em junho passado, o Vaticano divulgou “um código moral”, os 10 mandamentos do trânsito, para os motoristas católicos, com sua “orientação para a Pastoral nas Estradas”:

1. Não matar
2. Fazer da estrada um instrumento de união, não de morte
3. Ser prudente, correto e gentil
4. Ser caridoso. Ajudar o próximo em caso de acidente
5. Não transformar o carro numa expressão de poder
6. Evitar que quem não esteja em condições pegue no volante
7. Ajudar as famílias das vítimas de acidentes
8. Reunir o culpado do acidente e a vítima para que possam perdoar-se
9. Proteger os mais vulneráveis
10.Considerar-se responsável pelos outros.

Será benéfica para as pessoas e para a sociedade a observância desses mandamentos, por parte dos motoristas católicos, em razão de sua fidelidade ao magistério da Igreja, de fiéis de outros credos e daqueles que não têm vínculos religiosos. Dada a sua importância para a sociedade brasileira, a Polícia Rodoviária Federal “aproveitou os dez mandamentos do motorista católico (...) e estendeu as recomendações a todos os motoristas brasileiros, independente da orientação religiosa.”